De Bilhões Investidos ao Continente: O Efeito Netflix e o Universo de The Witcher
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No mês passado, Reed Hastings, cofundador e então presidente da Netflix, decidiu deixar o comando da empresa. Essa saída acontece num momento bem curioso, de transição mesmo, em que a gigante do streaming tenta encontrar novos caminhos para crescer — apostando as fichas em games e transmissões ao vivo — enquanto precisa lidar com um ritmo de vendas um pouco mais lento. Mas basta olhar pelo retrovisor para entender o tamanho do império construído pela companhia de Los Gatos, na Califórnia. Até o final de 2025, a plataforma já contava com mais de 325 milhões de assinantes pagantes espalhados pelo mundo. Essa galera toda ajuda a financiar uma máquina de entretenimento que praticamente inventou a forma como consumimos vídeo em casa e que não para de girar.
Para dar uma dimensão real da coisa, a Netflix torrou mais de 135 bilhões de dólares em filmes e séries na última década. É um dinheiro absurdo que ajudou a moldar a cultura pop moderna. Durante esse mesmo período, a empresa afirma ter injetado mais de 325 bilhões de dólares na economia global, gerando mais de 425 mil empregos em produções de todos os tipos. O impacto é tão palpável que Ted Sarandos, o co-CEO, anunciou recentemente o lançamento do que eles batizaram de “Efeito Netflix”. A ideia é justamente mapear como o conteúdo deles reverbera pelas economias, indústrias e no nosso dia a dia, semana após semana. O catálogo é um monstro alimentado por acordos de licenciamento com mais de três mil empresas, incluindo emissoras públicas.
O mais louco dessa estratégia é como ela mudou o nosso próprio consumo. Se há dez anos a gente quase não via coisas fora do eixo Hollywood, hoje as produções de língua não-inglesa representam mais de um terço de tudo o que é assistido por lá. Títulos como La Casa de Papel, Round 6 e KPop Demon Hunters arrastaram multidões e provaram que grandes histórias quebram qualquer barreira de idioma. E é exatamente no meio dessa aposta gigantesca em propriedades intelectuais que dominam as conversas que encontramos um dos maiores hits da plataforma: The Witcher.
A Construção do Continente
Criada por Lauren Schmidt para o streaming, a série é baseada na obra de fantasia do escritor polonês Andrzej Sapkowski. A história te joga de paraquedas no Continente, um mundo denso onde humanos, elfos, anões e uma porrada de criaturas bizarras dividem o mesmo espaço. Só que a convivência passa muito longe de ser pacífica. Vale lembrar que os livros do Sapkowski também deram origem à aclamada série de jogos da CD Projekt RED. Se você consome as três mídias, já sacou que cada adaptação tem as suas próprias peculiaridades. A magia, por exemplo, não funciona do mesmo jeito nas telas da TV e nas mecânicas do videogame, e a aparência de vários personagens pode mudar bastante de um lugar pro outro. Ainda assim, a essência não se perde: os bruxos, feiticeiros e feiticeiras mais cascas-grossas e experientes da narrativa principal continuam sendo as mesmas figuras lendárias.
Antes de destrinchar quem é quem nesse universo caótico, é bom dar um passo atrás e olhar para a base da história. O enredo gira em torno de Geralt de Rivia, um caçador de monstros que vive cruzando as estradas do Continente. Geralt é um mutante, treinado desde moleque para essa vida ingrata e brutal. O cara manja tudo de combate com espada, alquimia e do uso de magia. Apesar da fama de durão e do estigma de que bruxos são desprovidos de emoção, ele tem um coração gigante e um senso de justiça muito próprio. Geralt tá sempre se metendo em confusão para ajudar quem precisa, mesmo quando isso significa colocar o próprio pescoço na reta. O público começou a acompanhar essa jornada na Netflix em dezembro de 2019, ganhou uma segunda temporada em dezembro de 2021 e a terceira chegou ao catálogo no final de julho de 2023.
Os Donos do Poder
Entendendo a magnitude do investimento da Netflix e o peso do mundo em que Geralt vive, a gente passa a olhar de outra forma para os nomes que realmente movem as engrenagens desse cenário. A saga central de The Witcher gira em torno dos destinos entrelaçados de Geralt e Ciri, e é nessa trilha que cruzamos com os personagens mais formidáveis da franquia. As proezas desses indivíduos estão espalhadas pelas páginas, pelas horas de gameplay e pelas telas. Existem muitos outros personagens no folclore da série, mas o foco da narrativa principal se mantém num núcleo bem específico.
A ideia aqui não é criar um ranking definitivo ou uma disputa barata de quem bate mais forte. O universo de The Witcher é cinza e complexo demais para tabelas de poder absolutas. O que vale notar é como essas figuras moldam a política, a guerra e a sobrevivência num mundo onde ser poderoso muitas vezes significa carregar um alvo nas costas. São esses feiticeiros e bruxos que entregam a grandiosidade que a Netflix buscou lá atrás, quando decidiu apostar seus bilhões para transformar a obra polonesa num fenômeno global.