O Domínio Sul-Coreano na Netflix: Das Maratonas de Sobrevivência à Realeza de Bridgerton
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A cultura sul-coreana vem dominando o entretenimento mundial de forma impressionante nos últimos anos. Esse movimento, que ganhou tração com o fenômeno dos ídolos do k-pop e a vitória histórica do longa “Parasita” no Oscar de 2020, encontrou um terreno extremamente fértil no universo do streaming. As produções dramáticas do país, popularmente conhecidas como doramas, viraram uma verdadeira febre no Brasil e no mundo inteiro. Surfando nessa onda gigante, empresas de peso como a Netflix passaram a investir na produção de títulos dos mais diversos estilos. O catálogo hoje vai muito além dos romances, explorando tramas repletas de zumbis, vingança, lutas e elementos sobrenaturais. O maior exemplo do poder desse mercado é o estrondo absoluto de “Round 6”, que lançou a sua aguardada segunda temporada no final de 2024. O sucesso constante dessas produções coreanas abriu espaço para um leque diversificado de obras originais e vem transformando até mesmo o elenco das maiores séries ocidentais da plataforma.
O universo de monstros, zumbis e futuros distópicos
Para o público que gosta de cenários caóticos, as adaptações de webtoons se tornaram um atrativo fortíssimo do serviço. “Sweet Home” (2020) mergulha direto na luta por sobrevivência do jovem órfão Cha Hyun Soo. Ele se muda sozinho para um conjunto habitacional logo antes de um fenômeno bizarro começar a transformar humanos em monstros selvagens idênticos a zumbis. A produção de três temporadas traz o protagonismo de Song Kang, estrela de “Meu Demônio Favorito”, e um elenco com nomes como Lee Do-hyun, Park Gyu-young, Oh Jung-se e Go Min-si. O sucesso rendeu avaliações sólidas, marcando 7,2 no IMDb e 8,7 no My Drama List.
Nessa mesma linha de contágio e desespero coletivo, “All of Us Are Dead” (2022) adapta os quadrinhos “Now at Our School” e transforma o colégio Hyosan no epicentro de um surto viral. Os alunos infectados se transformam rapidamente, deixando os sobreviventes completamente isolados nas dependências da escola. A comunicação com o mundo exterior é cortada, a comida e as armas improvisadas escasseiam, e as autoridades do lado de fora tentam desesperadamente encontrar uma cura. A série possui uma primeira temporada de 12 episódios com um elenco jovem que inclui Yoon Chan Young, Park Ji Hoo, Cho Yi Hyun e Park Solomon. Com a segunda temporada já confirmada, a obra carrega notas de 7,5 no IMDb e 8,5 no My Drama List.
Já “Black Knight” (2023) aposta na ficção científica e no suspense ao nos jogar para uma sociedade brutal no ano de 2071. A poluição atmosférica destruiu quase toda a vida humana, forçando os sobreviventes a viverem sob um sistema de classes extremamente rígido. Os “Knights” são os entregadores responsáveis por garantir as missões de abastecimento e também a segurança no meio desse cenário devastado. A minissérie de apenas seis episódios é encabeçada pelo astro Kim Woo Bin, acompanhado por Kang Yoo Seok, Esom e Song Seung Heon, conquistando 8,1 no My Drama List e 6,4 no IMDb.
Ação, vingança e caçadores sobrenaturais
Se a preferência for por pancadaria e tramas policiais densas, “My Name” (2021) entrega uma história implacável. A série original acompanha Yoon Ji Woo, uma mulher disposta a cruzar qualquer limite para vingar a morte do pai. Ela faz um acordo com um chefe do crime organizado e, como retribuição pela ajuda do criminoso, se infiltra na força policial para atuar como informante. Han So-hee assume a protagonista, dividindo a tela com Ahn Bo-hyun, Moon Sang-min, Chang Ryul e Park Hee-soon. A trama intensa conquistou o público e alcançou 8,7 no My Drama List e 7,8 no IMDb.
Ação de tirar o fôlego também é a marca registrada de “Cães de Caça” (2023), outra adaptação dos quadrinhos digitais. A história foca na união dos boxeadores Kim Geon-woo e Hong Woo-jin. Eles decidem usar suas habilidades de luta para acabar com os planos de um perigoso agiota que vinha ameaçando a mãe de Geon-woo, contando com a aliança do presidente Choi, um agiota já aposentado.
Trazendo um equilíbrio entre fantasia, comédia e ação, “Caçadores de Demônios” (2023) apresenta os misteriosos “Contadores”. Trata-se de um grupo de caçadores de espíritos malignos que usa um restaurante comum como disfarce perfeito. Liderados pela lenda sul-coreana Choi Jang Mool, cada membro do time possui habilidades únicas, como poderes de cura, leitura de memórias e força sobre-humana. Com duas temporadas de 10 episódios cada, a série reúne astros como Jo Byeong Kyu, Kim Se Jeong, Yu Jun Sang e Kim Hieora, refletindo a ótima recepção nas notas de 8 (IMDb) e 8,8 (My Drama List).
A expansão asiática cruza fronteiras e chega à alta sociedade britânica
O impacto dessa revolução cultural asiática ultrapassou as barreiras das produções sul-coreanas e começou a reconfigurar os elencos das maiores apostas mundiais da Netflix. Na última quinta-feira, a plataforma liberou a aguardada segunda leva de episódios da quarta temporada do seu sucesso de época “Bridgerton”. A série continua arrastando multidões com seus romances luxuosos ambientados na era da Regência britânica, mas desta vez os holofotes estão voltados para um novo rosto.
O grande destaque do momento é a atriz australiana Yerin Ha, de ascendência coreana. Ela assume o papel de Sophie Baek, uma criada que vive uma autêntica história ao estilo Cinderela. Tudo começa após um encontro mágico em um baile de máscaras com o libertino segundo filho da família, Benedict Bridgerton. A escalação transformou a novata em uma verdadeira estrela em ascensão na vida real, gerando imensas expectativas na Ásia, especialmente por causa da sua visita programada à Coreia do Sul no mês que vem.
Durante as recentes rodadas de entrevistas e coletivas de imprensa, a nova protagonista abordou as barreiras inéditas que o seriado acaba de quebrar. A presença de Yerin expande consideravelmente a representatividade do Leste Asiático dentro da bilionária franquia, além de permitir uma exploração mais profunda sobre a divisão de classes sociais na trama da realeza. A atriz também aproveitou os momentos com a mídia para falar com carinho da sua ancestralidade e da conexão que possui com as raízes artísticas da própria família, lembrando o público de que é neta da renomada atriz coreana Son Sook.