A importância da Feira Cultural LGBT de SP para a divulgação da arte queer

18ª edição do evento reúne mais de 80 expositores que desenvolvem ações sociais e divertem o público com apresentações de artistas LGBT.

Publicado em 16/04/2018 às 16:09

Tiago Minervino
A importância da Feira Cultural LGBT de SP para a divulgação da arte queer
Foto: Arquivo/Paulo PintoEm 2015, mais de 100 mil pessoas passem pelo Vale do Anhangabaú, centro da capital paulista, para participar da feira cultural LGBT.

Nos últimos anos, temos acompanhado a ascensão de artistas LGBT na cena musical brasileira, reinventando a MPB, dando uma nova roupagem, sobrepujando o preconceito e ocupando seus espaços de direito.

No entanto, apesar de esse ser um fenômeno interessante, a arte não é feita apenas por cantores, mas também por escritores, atores, entre outros, e, referente a isso, ainda há muito a ser feito, principalmente quando se trata da cultura queer como um todo.

É fato que as redes sociais e plataformas de streamings, como o YouTube, democratizaram a arte, e facilitaram o contato entre o artista e o público, sobretudo os jovens. Entretanto, não se pode negligenciar os espaços das casas noturnas que servem como ‘largada’ para essa galera e os eventos que visam dar visibilidade à essas pessoas.

A importância da Feira Cultural LGBT de SP para a divulgação da arte queer
Foto: Paulo Pinto / FotosPúblicas17ª Feira Cultural LGBT da Associação da Parada LGBT de São Paulo, no Vale do Anhangabaú, em no centro da cidade de Sao Paulo.

Nesse sentido, a Feira Cultural LGBT, evento gratuito que antecede a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, reunindo milhares de pessoas vindas de várias partes do país e do mundo para presenciar a marcha pelos direitos LGBT na capital paulista, se transformou em um palco para dar voz e vida a esses corpos excluídos, dotados de talento, mentes brilhantes, vozes angelicais, mas que ainda não são, de fato, benquistos pela sociedade heterocisnormativa.

Para além do viés capitalista, a 18ª edição do evento que acontece no feriado, como o próprio nome confere, tem como premissa a divulgação de artistas e da própria cultura LGBT em si, “vendê-los”, abrindo as portas para drag queens, músicos e demais vertentes desse universo amplo chamado arte.

“A Feira Cultural LGBT é um momento de suma importância para celebrarmos a nossa cultura”, afirma o militante e membro de um dos grupos de trabalho responsáveis pela organização da Parada, Matheus Emílio, de 22 anos.

“Além da festa e da luta na grandiosa marcha da Parada, precisamos também de espaços como esse [feira], para conhecer e celebrar as nossas histórias, compartilhando inúmeras coisas boas encontradas no universo arco-íris”, conta.

A importância da Feira Cultural LGBT de SP para a divulgação da arte queer
Foto: Paulo Pinto / FotosPúblicas17ª Feira Cultural LGBT da Associação da Parada LGBT de São Paulo, no Vale do Anhangabaú, em no centro da cidade de Sao Paulo.

Na Feira, são reunidos escritores, artistas, igrejas inclusivas, baladas, organizações não-governamentais, coletivos, lojas e diversos grupos da sociedade civil, e até mesmo do governo, que se encontram para apresentar ao público qual tem sido sua atuação e a sua importância no movimento, criando uma integração entre as diversas vozes que gritam e batalham diariamente pelos direitos das lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

Em crescente nos últimos anos, é inegável o impacto que a feirinha, como é popularmente conhecida, tem na disseminação das pautas LGBT entre a população, traduzidas em arte, afinal, arte é revolução e, tão importante quanto, um ato político, por vezes de resistência.

Portanto, pelo menos no que concerne à arte, a Feira Cultural mostra-se imprescindível na divulgação desses talentos.

A importância da Feira Cultural LGBT de SP para a divulgação da arte queer
Foto: Paulo Pinto / FotosPúblicas17ª Feira Cultural LGBT da Associação da Parada LGBT de São Paulo, no Vale do Anhangabaú, em no centro da cidade de Sao Paulo.
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