Psicólogos aumentam oferta após liminar que permite falsas terapias de 'cura gay'

Segundo eles, busca por 'reorientação sexual' cresceu nos últimos três meses, seus pacientes são, na maioria, jovens que vão contra a própria vontade e obrigados pelos pais.

Publicado em 11/12/2017 às 09:19

Gay1, com informações do O GLOBO
Psicólogos aumentam oferta após liminar que permite falsa 'cura gay'
Foto: Getty ImagesEm 15 de setembro, o juiz federal Waldemar de Carvalho decidiu em favor de 23 psicólogos que ingressaram com a ação popular para poder ofertar falsas terapias para 'reverter' a orientação sexual.

Ancorados na decisão liminar da Justiça Federal em Brasília que abriu brechas para o que ficou conhecido como “cura gay” no país, psicólogos estão aumentando a oferta de terapias no sentido de uma falsa “reorientação sexual”. Em matéria do O Globo, profissionais que oferecem esse tipo de atendimento disseram que a procura nos consultórios aumentou desde 15 de setembro, quando o juiz federal Waldemar de Carvalho decidiu em favor de 23 psicólogos que ingressaram com a ação popular para poder ofertar essas terapias.

A resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), órgão responsável por normatizar o exercício da profissão, questionada na Justiça estabelece há quase 19 anos normas para atuação dos psicólogos na esfera da orientação sexual. A liminar concedida não derrubou a resolução, mas obrigou o conselho a dar nova interpretação ao texto. Desde 17 de maio de 1990, há 27 anos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) deixou de classificar a orientação sexual de pessoas que se sentem atraídas pelo mesmo sexo como patologia e a retirou da Classificação Internacional de Doenças (CID).

Segundo eles, busca por 'reorientação sexual' cresceu nos últimos três meses, seus pacientes são, na maioria, jovens que vão contra a própria vontade e obrigados pelos pais.

Esse tipo de iniciativa é considerada uma violência à dignidade humana por entidades que decidiram se manifestar no processo em que o CFP recorreu da liminar: Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Defensoria Pública da União (DPU), Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e de Gênero (GADvS) e Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Decisão está nas mãos de desembargadora

A liminar de setembro determinou que o CFP não interprete uma resolução do Conselho de 1999 no sentido de “impedir os psicólogos de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re)orientação sexual”. O juiz manteve a decisão em 2 de outubro. O CFP recorreu contra a liminar no Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região ainda em setembro. A decisão, hoje, está nas mãos da desembargadora Maria do Carmo Cardoso. Ela volta de férias esta semana. O processo está concluído para decisão desde 16 de novembro. Para Bicalho, a Justiça deveria suspender a liminar o mais rapidamente possível para combater as terapias de “reorientação sexual”:

"Essa liminar produziu equívocos. A resolução se tornou algo estranho: diz que a homossexualidade não é desvio ou doença, mas permitiu-se a “reorientação” sexual. Se a homossexualidade é inata ou não, isso não muda em nada as experiências do sujeito no campo da sexualidade. Esses atendimentos de “reorientação” não podem nem ser chamados de terapia, dada a violência que encerram", disse Bicalho para o Globo.

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