Ellen Page revela ter sofrido lesbofobia e assédio durante gravações de 'X-Men'

Atriz também falou sobre Donald Trump e o arrependimento de ter feito um filme com Woody Allen.

Publicado em 14/11/2017 às 10:53

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Ellen Page revela ter sofrido lesbofobia e assédio durante gravações de 'X-Men'
Foto: Getty ImagesEllen Page participou das gravações de 'X-Men' quando tinha 18 anos; atualmente, ela tem 30 anos.

Em meio a onda de acusações de assédio sexual em Hollywood, Ellen Page resolveu contar as violências que sofreu na indústria do cinema. A atriz, que atuou em X-Men: O Confronto Final aos 18 anos, fez acusações contra o diretor do filme, Brett Ratner, no Facebook, nesta sexta-feira, 10.

Page relatou que, durante um teste de elenco, Ratner disse para uma mulher dez anos mais velha que ela: "Você deve fodê-la para fazê-la perceber que ela é lésbica". "Eu sabia que eu era lésbica, mas não sabia, por assim dizer. Eu me senti violada quando isso aconteceu. Olhei para os meus pés, não disse uma palavra e assisti ninguém mais fazer algo. Eu continuei a observá-lo no set, dizer coisas degradantes para as mulheres. [...] Eu tinha dezoito anos e não tinha ferramentas para saber como lidar com a situação", desabafou a atriz.

Ellen afirma que dois anos antes, já tinha sofrido assédio sexual. "Quando eu tinha dezesseis anos um diretor me levou para jantar (uma obrigação profissional muito comum). Ele acariciou minha perna debaixo da mesa e disse: 'Você tem que fazer o movimento, eu não posso'. Eu não fiz o jogo e tive a sorte de me afastar dessa situação. Foi uma realização dolorosa: minha segurança não estava garantida no trabalho".

No desabafo, a atriz fala que ter trabalhado com o cineasta Woody Allen foi um "erro terrível". "Eu fiz um filme Woody Allen e é o maior arrependimento da minha carreira. Estou com vergonha de ter feito isso. Eu ainda não tinha encontrado minha voz e não era quem eu sou agora e me senti pressionada, porque 'é claro que você tem que dizer sim a este filme de Woody Allen'. Em última análise, no entanto, é minha escolha quais filmes eu decido fazer e eu fiz a escolha errada".

No entanto, ela também ponderou que agora pode usar seus privilégios e fama agora para lutar contra essas situações. "Agora posso me afirmar e usar a minha voz para lutar contra a insidiosa atitude LGBTfóbica em Hollywood e além. Espero ajudar as pessoas que estão lutando para serem aceitas como elas são. Jovens vulneráveis sem minhas vantagens são muitas vezes diminuídos e sentiram que não tinham opções para viver a vida alegre que eles mereciam", escreveu Page.

A atriz relembrou casos em que menores denunciaram abusos e acabaram se suicidando, enquanto os agressores continuam trabalhando em Hollywood. A estrela do drama adolescente 'Juno' também ressaltou que Bill Cosby, ator que foi acusado de estupros, e Harvey Weinstein, produtor que veem recebendo acusações de assédio sexual, tiveram muitos cúmplices.

Donald Trump e Clarence Thomas

Ellen Page também comenta sobre casos do juiz Clarence Thomas e de Donald Trump. "Não vamos esquecer do cara que está sentado na Suprema Corte e do presidente dos Estados Unidos. Um é acusado de assédio sexual por Anita Hill, cujo testemunho foi desacreditado. O outro descreve com orgulho sua técnica de assédio a uma repórter de entretenimento. Quantos homens na mídia - os titãs da indústria - precisam ser expostos para que se compreenda a gravidade da situação e se exija a segurança e o respeito fundamentais que é o nosso direito?", questiona.

Veja o post de Ellen Page na íntegra:

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