Autorização para Parada LGBT em Mogi é negada; Fórum acusa prefeitura de homofobia

Fórum solicitou autorização à Prefeitura para realizar Parada LGBT no dia 10 de dezembro, desde agosto. Administração negou, informando que eventos ligados ao Natal já estão agendados para dezembro.

Publicado em 08/11/2017 às 15:40

Jamile Santana
Autorização para Parada LGBT em Mogi é negada; Fórum acusa prefeitura de homofobia
Foto: Reprodução/FacebookParada LGBT de Mogi já tinha ganhado espaço nas redes sociais.

O Fórum Mogiano LGBT realiza no domingo (12), uma reunião para definir se o grupo aceita ou não realizar a 1ª Parada LGBT de Mogi das Cruzes em 2018. A polêmica começou nesta terça-feira (7), após o grupo receber a resposta do ofício encaminhado à Prefeitura, que solicitava autorização para realizar o evento no dia 10 de dezembro. O pedido foi negado pela administração municipal que alegou que as interdições na área central da cidade vão prejudicar o comércio e que, em dezembro, diversos eventos ligados ao Natal já estão agendados. A administração municipal ofereceu como alternativa que o fórum realize a Parada LGBT nas ruas do Centro em janeiro. O Fórum acusa a Prefeitura de discriminação.

De acordo com o presidente do Fórum, Roberto Fukumaro, as tratativas para a realização do evento começaram em agosto e várias reuniões foram realizadas entre o grupo e a Prefeitura. "Em um primeiro momento, pedimos a autorização para fazer o evento e também apoio com estrutura. Já na primeira reunião, a Prefeitura disse que não poderia nos apoiar com tendas, banheiros químicos, porque o orçamento da cidade já estava fechado, mas o trâmite para realizar a parada pelas ruas da cidade continuou em reuniões seguintes", detalhou.

Autorização para Parada LGBT em Mogi é negada; Fórum acusa prefeitura de homofobia
Foto: Reprodução/FacebookFórum LGBT acusa Prefeitura de Mogi de discriminação.

O presidente do Fórum LGBT informou ainda que o trajeto sugerido na área central foi alterado diversas vezes durante as reuniões. "Queríamos sair do Largo Bom Jesus em caminhada, percorrer a Ricardo Vilela, passar pela Deodato Wertheimer até o Largo do Rosário. Mas aí a Prefeitura falou que esse itinerário não poderia ser feito. Então oferecemos um trajeto do Parque Botyra Camorim Gatti até o Ginásio Hugo Ramos, por exemplo. A Prefeitura veio alimentando essa possibilidade de fazer o evento desde agosto e só agora falaram que não pode ser feito em dezembro por causa das festividades do Natal", disse.

Fukumaro completou que o evento contaria ainda com feira de artesanato e distribuição de preservativos.

O Fórum LGBT destacou que a data do dia 10 de dezembro foi escolhida aleatoriamente, porque desta forma daria tempo para a organização conseguir acertar detalhes do evento, como patrocínio, por exemplo. "A comunidade LGBT tem que ficar escondida nos guetos? Os gays não podem estar na mesma praça onde tem Papai Noel? Acho que a decisão foi tomada de forma preconceituosa", defendeu.

O secretário de Segurança de Mogi das Cruzes, Paulo Roberto Madureira Salles, informou que no período pedido pelo Fórum LGBT não é possível realizar o evento. "Eles pediram de 10 a 12 de dezembro, primeiro fim de semana depois do pagamento, mês do Natal, quando o comércio já funciona em um esquema diferente por causa do volume de gente circulando no Centro. Não tenho condições de interditar a Ricardo Vilela ou outras ruas do Centro, iria prejudicar o movimento no comércio. Em qualquer outra data, não teria problema. Na praça em frente à igreja matriz vai ficar a casa do Papai Noel. É um evento mundial, não tenho como desmarcar", disse o secretário.

No ofício a administração municipal cita o Decreto 7222/2006, que regulamenta o uso de praças, vias e logradouros da cidade para a execução de obras, eventos, desfiles e outros tipos de concentração popular.

Autorização para Parada LGBT em Mogi é negada; Fórum acusa prefeitura de homofobia
Foto: Reprodução/FacebookPrefeitura de Mogi das Cruzes indeferiu o pedido do Fórum LGBT para a realização da Parada do Orgulho LGBT em dezembro.

Em 2014, representantes do Suburbloco Maracatu foram conduzidos à delegacia pela Polícia Militar durante o carnaval, já que o grupo "não teria pedido autorização" para fazer seu carnaval, fora da Avenida Cívica, conforme prevê o mesmo decreto. Na época, um grupo se reuniu em frente à delegacia para protestar contra o impedimento de desfilar pelas ruas da cidade.

Diante do indeferimento, o Fórum LGBT vai decidir em assembleia se o grupo realiza o evento em janeiro ou se faz uma manifestação em dezembro. A reunião está marcada para o dia 12 de novembro.

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