'Bixa não machuca mais', diz vocalista de As Bahias e a Cozinha Mineira

Depois de seu disco de estreia, 'Mulher', a banda das vocalistas trans Assucena Assucena e Raquel Virgínia, e do guitarrista Rafael Acerbi, lançam "BIXA".

Publicado em 05/09/2017 às 13:59

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'Bixa não machuca mais', diz vocalista de As Bahias e a Cozinha Mineira
'Bixa não machuca mais', diz vocalista de As Bahias e a Cozinha Mineira
Foto: Eduardo Pimenta/DivulgaçãoAssucena Assucena, Rafael Acerbi e Raquel Virgínia

Depois de seu disco de estreia, 'Mulher', a banda 'As Bahias e a Cozinha Mineira', das vocalistas trans Assucena Assucena e Raquel Virgínia, e do guitarrista Rafael Acerbi, lançam "BIXA". O novo trabalho é inspirado na obra de Caetano Veloso, especialmente no álbum "Bicho", de 1977.

A palavra "bixa", escrita com "x" em vez do usual "ch", tem motivo: "É uma tentativa de transgredir os maus estigmas da palavra, já tão castigada", explica Assucena.

Levantar bandeiras é parte da identidade musical do grupo, que se formou na Faculdade de História da USP (Universidade de São Paulo), onde Assucena e Raquel eram conhecidas pelo mesmo apelido: Bahias.

Assim, para As Bahias, cantar também é uma forma de combater machismos e LGBTfobia. “Bixa é gente. Somos mulheres transgênero. Queremos dignidade, emprego e respeito. O Brasil segue matando o que considera nem gente e nem bicho. É um dos maiores genocidas LGBTTs que se tem notícia. Ser bixa neste país é correr risco de morte. A gente quer subverter isso, e quer que ser bixa seja nada além de motivo de orgulho", completa Assucena.

'Bixa não machuca mais', diz vocalista de As Bahias e a Cozinha Mineira
Foto: Capa do disco 'Bixa' de As Bahias e a Cozinha Mineira.

"Superamos o armário"

“A primeira vez que ouvi a palavra bixa dirigida a mim, chorei. Recusei. Tudo o que se traduzia como ‘bixa’ nos meus gestos e na minha voz, me dava aversão. A natureza quando quer prevalecer é como a morte. Inevitável. Inevitavelmente, então, meus gestos pintavam de forma afeminada. E ficava fácil tratarem mal, pisotearem, abusarem. A gente trata bem bicho: gato, cachorro e passarinho. Mas ‘bixa’ é coisa feia e errada”, conta Raquel.

Hoje, "ser chamada de bixa não machuca mais", diz Assucena. Ou, ao menos, se depender do grupo, a palavra deve ser ressignificada. "Ela foi um signo construído para expor ao ridículo travestis, gays, lésbicas, bissexuais. Um termo que por muito tempo exerceu e ainda teima em exercer a função de doutrinar corpos, trejeitos e vivências. Entretanto, não funcionará mais. Não do jeito antigo. Superamos o armário", acrescenta Raquel.

"Bixa" está disponível no Spotify, Deezer e Google Play.

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