Lésbica, Clara Lima é a voz do rap urbano e afiado; ouça o o disco ‘Transgressão’

Com beats soturnos, rapper mostra a potência em primeiro EP lançado pelo selo Ceia.

Publicado em 18/08/2017 às 14:22

Pedro Antunes
Lésbica, Clara Lima é a voz do rap urbano e afiado; ouça o o disco ‘Transgressão’

Clara Lima é mulher, negra, lésbica, periférica e rapper.

Reprodução/Facebook

Frente a frente a tantas paredes erguidas pelo patriarcado conservador, segue lutando.

Salta de muro em muro, até, do topo, olhar para baixo e contra-atacar como sabe.

Atira com versos e rimas.

Transgressão é isso. O primeiro EP da rapper mineira, lançado pelo selo Ceia, é a agressão retribuída.

É a rua, a quebrada, em versos de flow firme, beats soturnos. Como a trilha sonora de uma madrugada aflitiva na qual não se sabe, ao certo, como chegar vivo para ver o sol amanhecer no dia seguinte.

É a sensação de perigo constante.

Clara Lima, com as seis músicas do EP, sabe colocar o ouvinte dentro da pele dela. Sente-se as agressões sofridas, a vida impiedosa. Comemora-se a vitória, que chega aos poucos, mas é saborosa.

Nocaute, terceira do trabalho, desfere um golpe no estômago. Ágil, ela é furtiva nas rimas. Rebate o que chama de “sistema bruto” num ataque rápido, de pouco mais de 2 minutos de duração.

A porrada de Clara vem com os versos de “tiro pra caralho, tiro, tiro pra caralho” e “munição nós têm demais”. Ela avisa: está pronta para o que vier.

Djonga e FBC participam de Vida de Luxo e Selva, respectivamente. São vozes que se cruzam bem com a fúria de Clara. Somam no discurso.

Em Transgressão, o disco, Clara Lima não se apoia nos beats como muletas. As batidas em repeat são uma escada na qual ela sobe apenas que sua rima se propague.

A excessão é Prá Lembrar, a canção mais “canção” do EP e escolhida para abrir o trabalho. No refrão cantado, Clara Lima soa nostálgica.

Discute o tempo, inquebrável, impossível de frear.

Tal qual a rapper. Pará-la é impossível.

E, um conselho de amigo, é melhor nem tentar.

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