Aíla lança o clipe 'Lesbigay' e defende a liberdade do afeto

A artista reuniu no elenco ativistas LGBT em um dia inteiro de gravação na maior ocupação artística da América Latina, no Ocupa Ouvidor 63, em São Paulo.

Publicado em 29/08/2017 às 18:42

Gay1 Entretenimento
Filmado na maior ocupação artística da América Latina, clipe 'Lesbigay' de Aíla é um manifesto pela liberdade
Foto: DivulgaçãoA paraense Aíla reuniu no elenco ativistas LGBT em um dia inteiro de gravação na Ocupa Ouvidor 63, em São Paulo.

Expoente da nova música produzida na Amazônia, a cantora e compositora lésbica Aíla lança no Dia Nacional da Visibilidade Lésbica (29.08) o clipe “Lesbigay”, com direção de Vera Egito e Jéssica Queiroz, e produção da Paranoid. A faixa, parceria com Dona Onete, integra o disco “Em Cada Verso Um Contra-ataque” (Natura Musical), segundo álbum da carreira. O vídeo está disponível no YouTube e escancara o direito de “amar sem pudor” - em um festivo e dançante manifesto pela liberdade.

“Fizemos essa música pensando o 'Lesbigay' como um lugar que deveria ser comum, habitual, onde todos podem ser livres –, apesar de parecer, no contexto carregado de preconceito e ódio em que vivemos hoje, um lugar idealizado”, comenta Aíla. “A música quer fazer dançar nossos corpos dissidentes, afirmar o brilho que ninguém vai fazer desaparecer, escancara o direito de amar a quem se quer. 'Lesbigay' - a música, ou o lugar referido na música - é onde continuaremos dançando, construindo nossos espaços de afeto”, completa a artista.

O vídeo foi gravado na Ocupa Ouvidor 63 - a maior ocupação artística da América Latina, com mais de 100 residentes que lutam para conquistar definitivamente o espaço. O prédio de 13 andares, localizado no centro de São Paulo, está ocupado desde 1º de maio de 2014. Mais que cenário, tornou-se personagem fundamental do vídeo à medida que é, ele próprio, um forte símbolo de resistência.


Para compor o elenco, a equipe de produção buscou personagens reais – performers e ativistas LGBT – como a rapper Luana Hansen, o coordenador do Ibrat (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades), Lam Matos; os performers Alma Negrot e Coletivo Animalia; e também moradores da Casa 1, centro cultural e república de acolhimento a LGBTs em situação de risco. As professoras aposentadas, Ana Maria Oliveira e Carmem Almeida, companheiras há 17 anos, também participam do vídeo.

Co-diretora do videoclipe, Jéssica Queiroz reforça a importância de ter um elenco formado por militantes LGBT. “O clipe fala muito sobre libertação. O ‘Lesbigay’ é esse lugar que não é uma festa, um endereço, mas um sentimento, uma experiência, ele não existe no mapa. No vídeo, Aíla vai avançando as escadas e ‘se descobrindo’ à medida que encontra pessoas com diferentes histórias pra contar, diferentes vivências. Por isso foi tão valioso contar com personagens reais, não-atores”, diz.

Lesbigay integra uma série de cinco videoclipes, que vai originar um pencard audiovisual. O projeto tem o patrocínio da Vivo, via Lei de Incentivo à Cultura Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Estado do Pará.

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