Paysandu é denunciado pelo STJD por suspeita de homofobia em briga de torcida

Integrantes da torcida Terror Bicolor agrediram membros da Banda Alma Celeste em forma de represália pelo recentemente posicionamento em prol dos direitos LGBT.

Publicado em 14/07/2017 às 23:09

Estadao Conteudo
Paysandu é denunciado pelo STJD por suspeita de homofobia em briga de torcida
Foto: César Magalhães/DivulgaçãoPaysandu foi o primeiro time a ter torcida assumidamente LGBT no Brasil.

O futebol deu nesta sexta-feira um passo importante na luta contra o preconceito no esporte. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) julgará o Paysandu na próxima quarta-feira, às 15 horas, por desordem e homofobia após o empate por 1 a 1 com o Luverdense, pela 11ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Além do time, o árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima pode ser afastado dos gramados por não relatar o fato na súmula da partida.

A Procuradoria precisou de imagens da TV Liberal, afiliada da Rede Globo no Pará, para abrir o processo. De acordo com a acusação, integrantes da torcida organizada do Paysandu, Terror Bicolor, agrediram membros da Banda Alma Celeste em forma de represália pelo recentemente posicionamento em prol dos direitos LGBT. Em maio, a torcida aboliu o grito de "bicha" e passou a estender a bandeira do Orgulho LGBT na arquibancada.

O Paysandu foi enquadrado no artigo 213, inciso I, parágrafo 1º do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), por não garantir a prevenção ou repressão das desordens. Para a Procuradoria "restou evidente, que o tumulto, a desordem, a briga generalizada, trouxerem riscos a integridade física de torcedores em geral, inclusive verdadeiros torcedores e que nada tem a ver com as práticas delituosas constatadas".

Pelas desordens, o clube pode ser multado entre R$ 100 e R$ 100 mil e punido com perda de até 10 mandos de campo. Ainda há o agravante do Artigo 243-G, que abrange ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, o que soma a multa entre R$ 100 ou R$ 100 mil.

INÉDITO

O Paysandu é o primeiro clube denunciado por homofobia no Brasil. Em 2014 um inquérito foi aberto no STJD para investigar supostas ofensas cometidas entre Corinthians e São Paulo, mas o caso acabou arquivado. No clube paraense o departamento jurídico garante que tomou todas as providências durante a partida, mas a confusão aconteceu 15 minutos após o encerramento do jogo e que não tem como afirmar se houve um ato de homofobia.

Há uma semana, o então presidente do Paysandu, Sérgio Serra, entregou sua carta de renúncia ao conselho pois, de acordo com ele, foi agredido por dois homens armados e teve sua família ameaçada por membros de torcida organizada. Reflexo: nove jogos sem vencer, com apenas 14 pontos e brigando contra a zona de rebaixamento.

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