Chefe militar americano contraria Trump e diz que Pentágono não aplicará proibição a transexuais

Segundo ele, até segunda ordem, não há nenhuma orientação para proibir alistamento de travestis e transexuais nas forças armadas do país; medida surpreendeu cúpula militar americana.

Publicado em 27/07/2017 às 16:30

Gay1, com Agências Internacionais
Chefe militar americano contraria Trump e diz que Pentágono não aplicará proibição a transexuais
Foto: REUTERS/Mohammad IsmailO chefe do Estado Maior Conjunto dos Estados Unidos, o general Joseph Dunford.

O chefe do Estado Maior Conjunto dos Estados Unidos, o general Joseph Dunford, assegurou nesta quinta-feira, 27, que o Pentágono não aplicará, até segunda ordem, a decisão de proibir o alistamento de travestis e transexuais nas forças armadas do país, que foi anunciada ontem pelo presidente Donald Trump.

"Não haverá modificação alguma à política atual até que o secretário de Defesa (James Mattis) tenha recebido a ordem do presidente e emita diretrizes para implementá-la", disse Dunford em uma comunicação interna.

"Enquanto isso, seguiremos tratando todo nosso pessoal com respeito", acrescentou o chefe do Estado Maior Conjunto, que ordenou aos comandos que "permaneçam focados" em suas missões militares.

Trump anunciou ontem a sua decisão de proibir que pessoas travestis e transexuais "sirvam em nenhuma capacidade" nas forças armadas americanas após ter consultado, segundo ele mesmo garantiu, seus "generais e especialistas militares".

"As nossas forças armadas devem se concentrar em vitórias decisivas e extraordinárias, e não podem se preocupar com os tremendos custos e interrupções médicas que seriam causados por transexuais entre os militares", argumentou Trump em um surpreendente anúncio no Twitter.

Apesar de Trump ter dito que consultou seus "generais e especialistas militares", veículos da imprensa americana publicaram hoje que Mattis, chefe do Pentágono, foi avisado da decisão tomada pelo presidente na véspera do anúncio.

Segundo o jornal New York Times, por trás da proibição de Trump está a necessidade de aprovar esta semana no Congresso um pacote orçamentário de US$ 790 bilhões em defesa, e alguns republicanos votariam contra se o projeto incluísse o tratamento hormonal aos militares travestis e transexuais.

Entre os que protestaram contra a decisão de Trump está Chelsea Manning, a ex-soldado transexual que vazou para Julian Assange as primeiras informações sigilosas publicadas pelo site Wikileaks em 2010 e saiu da prisão recentemente após receber o indulto do ex-presidente Barack Obama.

Chelsea participou hoje de um protesto em frente à Casa Branca e publicou um artigo no New York Times em que assegura que os custos do tratamento hormonal são "uma desculpa esfarrapada", já que o Pentágono "esbanja bilhões de dólares por dia em projetos que são cancelados ou não funcionam".

As Forças Armadas dos Estados Unidos se abriram "com efeito imediato" as pessoas travestis e transexuais em junho de 2016 por decisão de Obama e seu recrutamento deveria começar em janeiro do ano que vem.

Estima-se que atualmente há cerca de 6,6 mil travestis e transexuais servindo nas forças armadas americanas, cujo futuro ficou no limbo após o anúncio de Trump.

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